Photo by Dafne Tarré on Unsplash

Papo de corredor

Breve lembrete sobre como iniciar uma busca

Tudo que eu faço é parte do ambiente que construí. Toda a minha vida cabe dentro de um cômodo só. Não que seja um problema, essa pequenez. Somos pequenos demais, queiramos ou não. Mas a curiosidade é o primeiro instinto para que eu saia do próprio ambiente.

Minha área de atuação profissional é a minha sala atual (esse cômodo onde cabe a vida toda). E, se eu for ao banheiro da sala, vou perceber que os dejetos do meu cotidiano costumam ser os mesmos desde que entrei aqui. E eu estou cansado de produzir o mesmo lixo de sempre.

Faz tempo que estou nessa sala. Frequentemente nos colocamos em salas fechadas, com janelas pequenas, que dão pouca visibilidade do que há lá fora; e menos visibilidade ainda do que há nas outras salas do corredor — nem preciso dizer que não sei o que há para além do corredor.

Mas dá um baita cagaço só de pensar na ideia de entrar em outra sala. Até consigo bater na porta e esperar que alguém me atenda, mas nunca quero entrar. Dou uma olhada pela fresta da porta, mas entrar pode ser um caminho sem volta. E se eu não conseguir sair? E se eu não gostar dessa sala? Pode dar tanta merda lá dentro. Como é que vai ficar a minha sala se eu entrar em outra? Eu não sei. E é isso que dá um medo danado.

Já que entrar em outra sala é assustador demais, melhor começar com um papo de corredor.

— Fala meu querido! Como é que vão as criança?

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(Metido a) escritor. Ex-tímido. Engenheiro não praticante. Pago de engraçadão em interações sociais. Não gosto de alho.

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